O primeiro balanço do campeonato: 6 ideias sobre a I Liga 2007/08

2008/05/14

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1)  Para lá dos diferentes discursos justificativos dos diversos intervenientes, há um ponto em que podemos ser objectivos, avaliando o cumprimento ou não das principais metas anunciados por cada clube no início do campeonato. Assim temos:

. Clubes que cumpriram principais objectivos propostos: FC Porto (campeão); Marítimo (UEFA), Nacional, Naval, Académica, E. Amadora, Leixões (manutenção)

. Clubes que não cumpriram principais objectivos propostos: Sporting e Benfica (não foram campeões e no caso dos encarnados não chegaram á Liga dos Campeões), Sp. Braga, Belenenses e Boavista (falharam a “Europa”), Paços de Ferreira e U. Leiria (desceram de divisão).

. Finalmente, clubes que ultrapassaram os objectivos propostos: Vitória de Guimarães (apuramento para a Liga dos Campeões); Vitória de Setúbal (6º lugar que daria apuramento para a Intertoto, não fosse a qualificação dos sadinos para a UEFA, por via da Taça da Liga)

 

2) O FC Porto teve uma superioridade esmagadora sobre os seus adversários: terminou com 20 pontos de avanço sobre o segundo classificado, o que constituiu novo recorde de diferença entre 1º e 2º em mais de 70 anos de história do campeonato (embora a segunda melhor marca, a do Benfica de 72/73 tenha sido obtida numa altura em que as vitórias contavam apenas 2 pontos). Apesar disso o FC Porto marcou menos golos do que época passada (60 para 65), realizou menos remates, menos remates no alvo e menos remates perigosos. Mas se em termos ofensivos este FC Porto foi inferior ao da época passada, defensivamente superou-se, sofrendo menos 7 golos (13 para 20), concedendo menos remates, menos remates no alvo e com perigo.

 

3. Relativamente aos seus 2 adversários tradicionais a superioridade do FC Porto não foi justificada pelo maior volume de jogo ofensivo: embora seja o que mais marca e o que mais remata, é o que menos remates perigosos efectua – ou seja, saber aproveitar as oportunidades de golo é fundamental. Também ao nível dos cruzamentos não existem grandes diferenças entre os “grandes” (com o Sporting à cabeça, apesar de jogar em 4×4x2…), o mesmo acontecendo nos passes de ruptura (o Benfica tem mais passes deste tipo, em grande parte devido a Rui Costa). Mesmo em termos de aproveitamento das bolas paradas, um factor considerado fundamental no futebol moderno, o FC Porto é dos três o que menos tentos consegue, com o Benfica a repetir a liderança do ano passado, embora com o Sporting por perto).

 

4. Perante este cenário, podemos dizer que o FC Porto começou a ganhar a prova graças à sua performance defensiva. O FC Porto sofreu cerca de metade dos golos concedidos pela segunda melhor defesa do campeonato (a do Benfica) e permitiu muito menos remates perigosos do que os seus oponentes. Esta consistência defensiva é ainda complementada por uma característica fundamental do jogo portista, directamente relacionada com a transição entre o momento defensivo e o processo ofensivo: a capacidade de pressionar alto e recuperar muitas bolas em meio-campo adversário (quase 17 por jogo, contra 12 do Sporting e 13 do Benfica). É esta característica que permite as famosas transições rápidas que tanta diferença fazem…

 

5. Falta ter em conta uma dimensão fundamental do jogo: a performance individual dos jogadores. O FC Porto coloca pelo menos 6 dos seus atletas entre a melhor dúzia de futebolistas dos “grandes” do presente campeonato: Lisandro Lopez, melhor marcador da Liga, com uma media perto de um golo em cada três remates; Lucho Gonzalez, o jogador mais completo a actuar em Portugal; Ricardo Quaresma, o maior desequilibrador do campeonato; Paulo Assunção, o pêndulo do futebol portista; Bruno Alves, o melhor defesa central da prova; Bosingwa, o melhor lateral. A eles juntam-se Quim (Benfica), Polga (Sporting), Léo (Benfica), Moutinho (Sporting), Rui Costa (Benfica).

 

6. A grande revelação da prova foi o Vitória minhoto, que vindo da II Liga conseguiu a proeza do apuramento para a Champions (última pré-eliminatória): ainda para mais os vimaranenses não dispunham de um plantel recheado de grandes jogadores, valendo-se antes de uma atitude competitiva muito desenvolvida. Note-se que até ao ultimo jogo da prova, tinham uma diferença de golos igual a zero (31 marcados para 31 sofridos), e só por duas vezes ganharam um jogo por diferença superior a 1 golo (4-1 na Naval e 4-0 na última jornada ao E. Amadora). No fim da prova, o Vitória foi apenas o sexto melhor ataque do campeonato, sendo também a sexta melhor defesa, baseando o terceiro lugar no comportamento “em casa”, com 11 vitórias, 2 empates e 3 derrotas (apenas 4 vitórias “fora”), em que superou claramente o 4º classificado Benfica (apenas 7 vitórias em casa).

 

 

Quadro 1 - dados colectivos ofensivos (números médios por jogo)

 

 

FC Porto

Sporting

Benfica

 

 

 

 

Golos

2

1,5

1,5

Golos obtidos na sequência de bolas paradas

0,4

0,6

0,7

Remates

15,8

14,5

14,3

Remates perigosos

5,5

7,2

6,5

Cruzamentos

18,7

19,2

18,6

Passes de ruptura

11,1

8,3

11,5

 

 

 

 

 

Quadro 2 - Dados colectivos defensivos (números médios por jogo)

 

 

FC Porto

Sporting

Benfica

 

 

 

 

Golos Sofridos

0,4

0,9

0,7

 Remates concedidos

10,6

11

10,9

Remates perigosos  concedidos

2,4

4,9

4,3

Recuperações em meio-campo adversário

16,4

11,9

13,2

 

Porto Sentido VII – “Tanto Porto!”

2008/05/08

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Da última vez que escrevi neste espaço, o Porto ainda mal se levantava do knock-out aplicado pelos alemães do Schalke 04. Foi um choque. A todos pareceu que o Porto era equipa para muito mais do que os oitavos-de-final desta Champions. Pareceu e continua a parecer, pois a cada dia que passa o mundo futebolístico nacional vai-se convencendo da grandíssima valia desta formação.

Mais de dois meses volvidos dessa queda às mãos de Neuer, o Porto já lambeu as feridas, que actualmente estão mais do que cicatrizadas. A confirmação do tri-campeonato com uma goleada de 6-0, a vitória inequívoca sobre o Benfica e a máquina trituradora que passeou classe em Guimarães vieram devolver o sorriso às faces azuis e brancas.

O tri foi óbvio. Foi a última página de uma crónica de um campeonato anunciado. Sem margens para dúvidas e contestações, o Porto mostrou ser um super-campeão. E confirmou-o frente ao rival da Luz. Os olés com que o público brindou os encarnados logo no minuto inicial, além de perfeitamente dispensáveis, só serviram para distrair os jogadores. Quando os adeptos acalmaram e se aperceberam que aquele jogo não era uma festa mas sim uma oportunidade de garantir mais três pontos, Lisandro atirou sem pedir licença para o fundo das redes de Quim. E na segunda parte repetiu o gesto, qual toureiro argentino espetando as bandarilhas no animal já moribundo.

Foi um segundo tempo brilhante do FC Porto, que encostou o seu adversário às cordas como se este não precisasse de ganhar o jogo. Além da exibição e dos festejos, o ponto alto da noite foi, quanto a mim, aquele sprint de vários metros de Lisandro que culminou com um carrinho e roubo de bola ao uruguaio Rodriguez. Eu tive a sorte de estar desse lado da bancada e de ver com os meus olhos o público a levantar-se no iniciar da corrida, a incentivar o esforço, a aplaudir a garra e o querer, a acreditar que seria mesmo possível aquele roubo de bola… até que, com um carrinho fantástico o melhor marcador deste campeonato fica com a bola para ele e entrega-a com toda a classe a um colega. O público aí já só via Lisandro López em campo, o exemplo máximo de um “jogador à Porto”.

Como nota negativa apenas aponto os tais olés e os cartazes dos Super Dragões que incluíram a fotografia de Rui Costa com um chapéu de bombo da festa, o que é manifestamente dispensável, já que estamos a falar de um dos maiores jogadores portugueses de todos os tempos e com um currículo imaculado a nível de fair-play. Rui Costa não o merecia, muito menos no seu ano de despedida dos relvados. Como Baía ou Figo, por exemplo, também não o mereceriam. São símbolos de Portugal, independentemente das suas cores de coração. E a claque, está mais que visto, não é o espelho dos adeptos portistas, porque estes já mostraram ao longo dos anos que sabem ganhar. Foi pena que Rui Costa não tivesse sido substituído no Dragão, de modo a que o povo azul-e-branco lhe pudesse prestar o merecido tributo: uma grande ovação.

A deslocação a Guimarães acabou por confirmar o que todos sabiam e não queriam ver: o Porto não faz favores a ninguém. Nem se preocupa com quem vai atrás de si. Muito atrás aliás. A vitória por 5 golos sem resposta no reduto do 2º classificado – que tinha todo o interesse em vencer para garantir o mais rápido possível a qualificação directa para a liga milionária – é demonstrativa de que nunca como este ano o 2º classificado foi tão o 1º dos últimos. Claro que esta posição do Vitória, a confirmar-se, será histórica e ficará para sempre guardada nos corações dos vimaranenses. Mas ninguém poderá esconder a quase embaraçosa vantagem de mais de 20 pontos para os rivais históricos de Lisboa.

Esta questão encerra um problema bastante mais grave do que se possa pensar. A actual má forma das águias e leões não os prejudica apenas a eles mesmos. Prejudica todo o futebol português, incluindo – por mais estranho que isto possa soar – os dragões. O campeonato português, a este ritmo, tenderá a transformar-se num feudo do FC Porto, à semelhança do que se passa em França com o Lyon, que caminha – pasmem-se! - para o heptacampeonato. Em França há o Lyon e os outros. Em Portugal arriscamo-nos a uma BWIN Liga com o Porto e os outros. E isso é prejudicial para todos. Atente-se, como exemplo, no caso do Lyon na Liga dos Campeões. Partem sempre como uma grande promessa e, mal lhes sai no sorteio uma equipa com alguns pergaminhos, ficam pelo caminho. E com o Porto, este ano, passou-se exactamente o mesmo. E a isso não é alheia a falta de competitividade do nosso campeonato, onde os jogos, mesmo com os rivais, têm pouco ritmo e intensidade.

Esta falta de competitividade interna faz com que a massa adepta do FC Porto já não se contente com o campeonato. A verdade é que estamos acostumados a ganhar. Somos uns meninos mimados, mal habituados. Daí que se tenha notado que a festa já não tem a intensidade de outras épocas. É verdade! O campeonato já não nos enche as medidas. No horizonte azul e branco a Liga dos Campeões é uma realidade.

Prematuramente eliminados da Europa do futebol e com o tri no bolso, o plantel às ordens do Professor Jesualdo Ferreira vai gerindo o seu esforço à espera da Taça de Portugal. O Porto vai gerindo e vai ganhando. E quando ganha (com brilho, diga-se!) não amealha apenas pontos, amealha também futuro. Foi isso que aconteceu em Guimarães. Enquanto uns aproveitam para descansar dos inúmeros jogos nas pernas (caso de Lucho González) e outros se mostram aos olhos das grandes equipas europeias (como Quaresma que, sem qualquer tipo de pressão nos seus ombros, abriu o livro e derramou magia no relvado do D. Afonso Henriques. Porque não jogar sempre assim, Ricardo?), Bolatti, Mariano, Stepanov, Kaz, Farías e até Lino servem-se destes encontros para se assumirem como potenciais reforços para a época 2008/2009 (e até Adriano renasceu para os golos!). A fase de adaptação foi a presente temporada, a próxima será para explodir. E todos nós portistas cada vez temos mais fé nestes jogadores, especialmente em Bolatti, Mariano e Stepanov.

O Porto de Jesualdo dirige-se, assim, em piloto automático para o Jamor. Tirando a novela em torno da cada vez menos provável renovação de Paulo Assunção (espero que a Direcção faça todos os possíveis para manter este super atleta), o Porto vive nas nuvens. E descerá à terra, se tudo correr bem, para conquistar a Taça de Portugal e assim fazer a famosa dobradinha. “Será este o Porto mais forte a nível interno dos últimos anos?”, muitos têm colocado esta questão. Da minha parte a resposta está dada: SIM.

 

 

A SEMANA

 

1 – Mário Jardel (em tempos o Super-Mário) regressou a Portugal depois de ter assumido que tem consumido cocaína nos últimos anos. É impossível deixarmos de sentir pena de um homem que teve Portugal a seus pés após 5 ou 6 épocas a fazer sempre mais de 30 golos e que só os seus sonhos megalómanos o fizeram chegar a este estado. A história de Jardel faz lembrar as lembranças dos nossos pais e avós acerca de determinados grandes jogadores de tempos idos que acabaram na miséria devido a álcool e mulheres. Esperemos que Jardel dê um novo rumo à sua carreira, sob pena de eu também ter que contar esta triste história aos meus filhos.

 

2 – Chelsea X Arsenal. Grandíssimo jogo. E suprema das ironias: Avram Grant, actual treinador do Chelsea, consegue qualificar os blues para a mais importante final a nível de clubes. Fez aquilo que José Mourinho desesperadamente tentou e não conseguiu ao serviço dos londrinos. E o israelita, que resistiu aos cânticos de come back Mourinho, às bocas dos jogadores, às críticas dos jornais e à descrença geral no futuro do clube, não só está na final da Champions League, como também disputa a Premier League taco a taco – estão em igualdade pontual - com a equipa de Sir Alex Ferguson, tida por muitos como imbatível na presente temporada. O futebol europeu transformou-se, por estes dias, numa luta entre Manchester United e Chelsea. Num duelo, quem sabe, entre Cristiano Ronaldo e Didier Drogba. Cá estaremos para ver, em Moscovo.

 Rodrigo de Almada Martins

 

 

nota: o Rodrigo escreveu esta crónica antes do Porto-Nacional. A culpa foi minha que não a pude publicar mais cedo… (João Nuno Coelho) 

Leão da Serra IV - “Modelos e barba rija”

2008/05/02

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Uma das principais mudanças a que se assistiu no futebol português, e um pouco por toda a Europa, nas últimas décadas, foi a nível estético. Nos anos 1970 e 1980 predominavam os cabelos compridos, a barba farfalhuda e o famoso bigode. O melhor exemplo em Portugal terá sido a equipa do FC Porto, campeã em 1978/79: dos onze habituais titulares, nove, repito, nove!, tinham bigodes imponentes: Teixeira (bigode discreto), Simões (bigode despenteado), Gabriel (bigode brigão), Oliveira (bigode de capitão), Frasco (bigode penteadinho), Rodolfo (bigode sério), Murça (bigode à pirata), Fonseca (bigode à mauzão) e Costa (bigode farfalhudo). Sem bigode só mesmo o “bi-bota” Gomes e Duda.

 

O Sporting, infelizmente, nunca foi muito dado a jogadores de “barba rija”. Da equipa que venceu o título em 1982, apenas quatro jogadores, do habitual onze, costumavam usar bigode. Mas um desses bigodes valia pelo menos por cinco: quem não se recorda do famoso bigode do guarda-redes Meszaros? Era verdadeiramente soberbo, digo de um pirata famoso ou de um sanguinário espadachim oriental. Em 2000, quando os “leões” voltaram a conquistar o título, já nem um bigode restava…

 

Talvez seja isso que nos faz falta, ou seja, jogadores de barba rija e bigodes intimidativos. Muitos jovens, com ar de modelos, muito “clean”, como sucede no actual Sporting, não intimidam ninguém, mais ainda num mundo tão masculinizado como o do futebol. Deve ser por isso que adoro ver um senhor com nome felino, o Gatuzzo, do AC Milão. Apesar da sua voz gentil e quase angelical, a barba por fazer e o bigode negro, conferem-lhe um ar verdadeiramente atemorizador. Talvez não fosse má ideia, num mundo de transferências, ir buscar o assessor de moda do Gatuzzo para o Sporting… Volta bigode, estás perdoado!

 

Francisco Pinheiro 

Mais uma bela história

2008/05/01

O Chelsea - Liverpool da segunda mão das meias finais da Liga dos Campeões foi o futebol em todo o seu esplendor. Não um mero jogo mas sim uma bela história, um pedaço de grande literatura, teatro e cinema. Com a vantagem de não ter guião pré-definido.É isso que faz do futebol o maior espectáculo do mundo quando o espectáculo é bom, ou seja quando a história é mesmo boa. E esta era do melhor. Terceira vez que as duas equipas se encontravam nas meias finais da Liga dos campeões em 3 anos, duas vitórias para o Liverpool (um dos reis da Europa) mesmo sobre a meta final: uma nos penaltis outra por um golo de diferença (que nem temos a certeza se chegou a ser). Um Chelsea (arrivista no grande futebol europeu) que teve um special one que não conseguiu chegar a uma final e que o substituiu por um average one, mantendo os mesmos heróis que tão perto haviam estado da final e que vimos chorar baba e ranho quando não o conseguiram. Puro Drama!E foi nestes preparos que chegamos a este segundo jogo da eliminatória, que pela primeira vez parecia mais inclinada para o lado londrino, graças a um auto-golo mesmo no final da partida de Anfield. A sorte estaria a mudar? Estava mesmo, e ontem a viragem confirmou-se e teve laivos de justiça divina, principalmente quando um arrasado Frank Lampard renasceu para a vida ao marcar o penalti que parecia decisivo, já no prolongamento. Sim, porque todos as grandes histórias de futebol têm prolongamento (mas nunca penaltis).Estas grandes história de futebol fazem-nos tomar partido mesmo que nenhuma lealdade exista por ali. Mesmo sem Special One por perto, foi impossível não sofrer seriamente pelo Chelsea, por Cech, Carvalho, Terry, Essien, Makelele, Lampard, Cole e Drogba, ou seja, por todos aqueles que tanto haviam sofrido ás mãos do Liverpool, que tanto queriam chegar a esta final. E mesmo que haja poucas coisas tão distantes dos adeptos empenhados do futebol como os próprios futebolistas, é impossível não nos sentirmos tão próximos daqueles super-homens do pontapé na bola quando o momento da verdade chega, quando as emoções dominam o relvado, as bancadas e o mundo.Ontem fui adepto do Chelsea porque sou louco por uma grande história, com grandes personagens e um guião perfeito porque completamente imprevísivel. Gritei com o Drogba e chorei com o Lampard, saltei com o Essien e com o Ricardo Carvalho. Durante 120 minutos vivi as emoções de mais uma bela história. Uma história sem fim.   João Nuno Coelho 

O louco clássico da Taça: Sporting, 5 - Benfica, 3

2008/04/28

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 Quadro geral comparativo duas equipas:

 

 

Elementos

    Sporting

Benfica

posse de bola

68%

32%

golos

5

3

remates

18

7

remates na área

11

6

remates no alvo

7

         3

remates com perigo

8

4

cruzamentos

30

10

cruzamentos com remate

5

2

faltas cometidas

17

17

cantos

6

1

livres perto da área

2

1

foras de jogo

1

1

cartões amarelos

3

5

cartões vermelhos

 

- 

- Em 26 confrontos a contar a para a Taça entre os grandes de Lisboa, o Sporting venceu 14. Nas três finais realizadas com o FC Porto, o Sporting conquistou 1.

- O Sporting continua com um bom registo caseiro na presente época e ainda não perdeu em Alvalade nas competições nacionais.

- O grande herói da vitória leonina foi Djaló (2 golos), que já leva 6 tentos apontados nos últimos 5 jogos disputados.

- Derlei voltou a marcar, depois do golo conseguido na 1.ª jornada do Campeonato, a 17 de Agosto de 2007.

- O Benfica vive momento negro, tendo sofrido 8 golos nos dois últimos encontros disputados.

- Apesar do equilíbrio registado no marcador e da emoção vivida neste jogo, números ofensivos das duas equipas dão grande superioridade ao Sporting, desde logo na posse de bola (68%, 56% ao intervalo), mas também em termos de remates (18-7), remates na área (11-6), remates no alvo (7-3), remates com perigo (8-4), cruzamentos (30-10), remates na sequência de cruzamentos (5-2), cantos (6-1).

- No entanto, o Benfica foi melhor na primeira parte e apesar da menor posse de bola rematou tanto como os leões (5 vezes), mas acertou mais vezes no alvo (2-0) e fez mais remates com perigo (3-0). Ou seja, o Benfica marcou sempre que acertou no alvo e em 2 dos seus 3 remates perigosos, enquanto o Sporting não conseguiu qualquer remate perigoso e tão pouco acertar na baliza contrária.

-  A superioridade benfiquista na primeira parte assentou na liberdade concedida a Di Maria, a jogar solto na frente de ataque (1 assistência, 4 cruzamentos, 3 dos quais da esquerda) e nos passes de ruptura de Rui Costa (3 na primeira parte, de um total de 4). Nesta primeira parte a equipa do Benfica realizou 7 dos seus 8 passes de ruptura – apenas 1 na segunda parte.

- Na segunda parte, tudo mudou: os leões aumentaram ainda mais a posse de bola (68%), alargaram a frente de ataque (com Vukcevic a abrir na esquerda e Izmailov na direita), com dois avançados (Liedson e Derlei), mais Djaló nas suas costas, e os números são impressionantes: 13 remates (contra 5 da primeira parte), 7 remates no alvo (contra nenhum na primeira parte), 8 remates no alvo (contra nenhuma na primeira parte). Resultado: 5 golos em cerca de 25 minutos)

- O Sporting realizou nesta segunda parte o dobro dos cruzamentos efectuados na primeira (10+20), com o lado direito a ser mais explorado (19; 11 da esquerda), destacando-se Izmailov (3, só na segunda parte) e Abel (4). Note-se que só na segunda etapa o Sporting chegou 13 vezes à linha de fundo para cruzar (contra apenas 2 na primeira parte), sendo que também só na segunda parte conseguiu rematar na sequencia de cruzamentos (4 golos após cruzamentos).

 

 - Acima de tudo foi um jogo em que as equipas primaram pela eficácia de remate: o Sporting com 26,3% (5 golos em 7 remates no alvo!) e o Benfica com 42,8% (3 golos em 7 remates realizados, dos quais 3 remates no alvo e 54 perigosos!).

- O Sporting conseguiu bons níveis de construção de jogo na segunda parte (8 passes de ruptura contra 4 na primeira parte), na tendência inversa do Benfica que deixou de conseguir penetrar na defensiva contraria (apenas 1 passes de ruptura na segunda etapa). Mourinho foi o mais esclarecido com 5 passes de ruptura, seguido por Izmailov (3, só na segunda parte).

- Nenhuma das equipas apresentou elevados níveis de agressividade defensiva (10 recuperações em meio-campo adversário para o Sporting e 7 para o Benfica).

- As duas equipas realizaram igual número de faltas (17) mas os benfiquistas viram mais “amarelos” (5-3), com quase todos os cartões a serem mostrados na segunda parte (8).

 

 

 

 

MELHOR EM CAMPO DO SPORTING: Djaló

 

- 2 golos

- total de 4 remates

- 2 cruzamentos

- 1 recuperação de bola

- 5 perdas de bola

- 1 falta cometida

- 2 faltas sofrida

- 1 cartão amarelo

 

 

 

MELHOR EM CAMPO DO BENFICA:

 

Di Maria

 

1 assistência

1 passe de ruptura

4 cruzamentos

1 recuperação

6 perdas de bola

nenhuma falta cometida

2 faltas sofridas

1 cartão por indisciplina

 

A LUZ DO LAMPIÃO V: “MAESTRO, NÃO. MAGISTRAL!”

2008/04/10

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O Benfica fez no Bessa provavelmente a melhor exibição da época. No entanto, em vez de se congratularem por terem a equipa no bom caminho no ataque ao 2º lugar (para minorar os estragos de uma época que toda ela foi um erro pegado), apesar do resultado menos bom, não: viraram armas contra os árbitros em geral, contra Lucílio Baptista em particular e contra as entidades competentes do futebol, tudo porque Lucílio Baptista não assinalou dois penaltis claros aos olhos de Chalana e de Luís Filipe Vieira. Os dois casos mencionados são a entrada de Zé Kalanga sobre Léo e a suposta mão na bola, já perto do fim do jogo, de um defesa do Boavista dentro da área. Pessoalmente, a minha opinião é que nenhum deles é penalti e que a existir um castigo máximo a favor do Benfica esse foi num lance em que Cristian Rodriguez tenta cabecear uma bola mas é carregado pelas costas por Marcelão, num daqueles lances típicos que se fosse a meio campo o árbitro marcava na hora… E mais uma vez, Luís Filipe Vieira volta a falar dos árbitros, depois de pela 15ª vez ter dito que o presidente do Benfica não falava de arbitragens… Um “dejá vu” que já chateia…

 

Falemos de coisas boas. Rui Costa fez 36 anos, uma bela idade para aquele que é, provavelmente, o último jogador à moda antiga. Amado pelos benfiquistas, respeitado pelos restantes adeptos, temido pelos jogadores adversários, Rui Costa é o exemplo máximo que no futebol não há só dinheiro e ganância e que ainda há espaço para a paixão. Voltou ao clube que sempre apoiou como adepto ciente que ainda podia ser útil como jogador e a verdade é que hoje em dia não sei o que seria da equipa sem Rui Costa. Corre mais que os outros, executa mais rápido que os companheiros, espalha talento, classe e magia pelo relvado ao longo dos 90 minutos de uma partida.

 

Acima de tudo, Rui Costa é um senhor, quer como jogador quer como pessoa. Nunca se envolveu em escândalos, nunca se vangloriou, aceitou as opções dos treinadores que o puseram no banco em algumas situações sem “estrebuchar” e sempre levou a sua carreira profissional com um total respeito pelos colegas, pelos adversários, pelos clubes e instituições que representou e pelos adeptos (do seu clube e dos clubes adversários).

 

Rui Costa é muitas vezes lembrado como o homem que chorou quando marcou um golo ao Benfica. Eu pessoalmente lembro-me dele a chorar numa outra situação que é demonstrativa do seu carácter. Em 1997, em plena fase crítica do apuramento para o Campeonato do Mundo de 1998, Portugal defrontava a Alemanha e estava numa situação precária: ou ganhava e dava um salto decisivo rumo ao apuramento ou então estava praticamente condenado a ver o França 98 pela televisão. Pedro Barbosa fez um golo estupendo que colocava Portugal em vantagem contra a Alemanha de Klinsman, Bobic, Basler, Khan e afins. Rui Costa fica pouco depois isolado frente a Khan, mas o fiscal de linha levanta a bandeirola. Rui rematou na mesma, pouco depois do apito, e vê o amarelo. Minutos depois é solicitada uma substituição na selecção portuguesa: sai Rui Costa para entrar Sérgio Conceição. Rui Costa dirigia-se para a linha lateral a passo, como quase todo o jogador em posição de vantagem no marcador faz. O árbitro Marc Batta, quando Rui já se encontrava perto da linha lateral, mostra-lhe o segundo amarelo e expulsa-o de uma forma repudiada por quase todos os adeptos de futebol que não são alemães. Portugal ficou reduzido a dez jogadores e acabaria por sofrer o empate e dizer adeus ao Mundial, mais uma vez. Rui Costa, esse, estava inconsolável à porta do túnel de acesso aos balneários, sentado no chão e chorando como um menino, desde o momento da expulsão até ao momento em que viu Silvino ser batido, altura em que recolheu definitivamente aos balneários.

 

Essa é a única “mancha vermelha” de Rui Costa no seu curriculum profissional sénior, resultado de uma injustiça protagonizada pelo excesso de zelo de um árbitro que para sempre ficou na galeria dos Papões da Selecção Portuguesa e que provavelmente nunca mais na sua vida de juiz mostrou um cartão amarelo como aquele que mostrou naquele dia a tão brilhante e correcto jogador.

 

Para mim, aquelas imagens só me fizeram ter ainda mais consideração por este jogador e por esta pessoa, que viu um sonho desmoronar-se em minutos e de imediato sentiu o mundo cair-lhe em cima, mostrando o seu inconformismo… chorando. Não partiu para o confronto com o árbitro, não reclamou de forma agressiva, apenas chorou e assistiu ainda a parte do jogo com uma tristeza que certamente não deixou nenhum daqueles que assistiram ao jogo indiferente.

 

Que pena não haver mais “Ruis Costas” a despontar no futebol português e mundial…

 

Fora da Luz

 

Jaime “abandonou voluntariamente” do Leixões após falhar um penalti que daria o empate à sua equipa em tempo de descontos por tê-lo marcado “à Panenka”. Se marcasse, era um herói com uma calma de morte e uma técnica soberba. Se atirasse em força e acertasse no poste, era mais um “pé de chumbo matarruano”. Como falhou, é um inconsciente e merece um castigo pesado. Isto só prova que o futebol é cada vez menos espectáculo e cada vez mais dinheiro e resultado. Que o digam Boavista e Estrela da Amadora, com salários em atraso há vários meses sem punição, e o Paços de Ferreira, clube (aparentemente) cumpridor das suas obrigações, que provavelmente vai parar à II Liga. Para quando a descida de divisão para quem não cumpre orçamentos???

 

Nuno Vitória 

A estranha noite do Benfica no Bessa - análise estatística…

2008/04/10

 

    - Foi o oitavo jogo da prova em que o Benfica ficou “a zero” sendo que em 6 dessas ocasiões o resultado final foi 0-0. Aliás o grande problema do Benfica neste campeonato têm sido os empates (12), já que conta apenas 2 derrotas (tantas como o FC Porto, que tem só 3 empates). 
    -  Os encarnados continuam a deter o segundo melhor ataque da prova, agora com média de 1,6 golos por jogo, assim como a segunda melhor defesa do campeonato (0,6 golos por jogo – total 16)   
    - Os encarnados fizeram um dos seus melhores jogos da prova, apresentando dados ofensivos retumbantes e esmagadores: 25-14 em remates; 14-5 em remates na área, 14-6 em remates na área, 16-3 em remates perigosos, 33-13 em cruzamentos. 
    - Aliás, o Benfica pulverizou nesta partida quase todos os seus “recordes” desta época: 25 remates contra 14,5 de média; 14 remates no alvo contra média de 6,3; 16 remates com perigo / 6,7 de média; 16 passes de ruptura / 11,5 de média; 33 cruzamentos / 18,4 de média; 8 remates na sequencia de cruzamentos / 3,2 de média. 
    - Para estes dados impressionantes (ainda mais porque não resultaram em qualquer golo) contribuiu muito uma segunda parte fortíssima em termos ofensivos: dos 25 remates; 11 dos 14 remates no alvo; 11 dos 16 remates com perigo; 20 dos 33 cruzamentos. 
    - Este encontro fez lembrar o da temporada passada também com o Boavista, mas na Luz. Os números são aliás semelhantes e estão entre os mais conseguidos da equipa benfiquista nestas duas temporadas (na altura: 23 remates, 18 no alvo e 16 perigosos) mas curiosamente as duas partidas acabaram empatadas a zero. 
    - Note-se que além dos remates que foram contabilizados neste jogo  por parte da equipa do Benfica – 25 – os encarnados realizaram 8 remates “bloqueados” imediatamente pela defesa do Boavista. 
    - O Benfica conseguiu ainda apresentar bons níveis de construção de jogo: mais apoiado na primeira parte, com 10 dos 16 passes de ruptura efectuados (para um total de 16, bem superior à média de 11,5 nesta época, e ao nível da época transacta). Rodriguez (5), Rui Costa e Nélson (3 cada um) estiveram em destaque. 
    - Na segunda parte a aposta encarnada foi mais nos cruzamentos, com a equipa a realizar 20 acções deste tipo, conseguindo ainda uma grande percentagem de jogadas à linha (9 cruzamentos na segunda parte a partir da linha ou do enfiamento da área contra 6 na primeira). Neste aspecto, foi importante a entrada de Di Maria que realizou 4 cruzamentos em 30 minutos. Nélson (6) e Rui Costa (8) foram ainda assim os que mais cruzaram, confirmando os dados que dizem que estes são os jogadores encarnados que mais cruzamentos realizaram nesta Liga. 
    - O Benfica demonstrou maior capacidade de recuperações de bola em meio campo adversário na segunda parte (3+9), o que lhe permitiu “asfixiar” o adversário neste período, com destaque para as acções de Nélson e Petit (3 acções cada um). 
    - O Benfica cometeu metade das faltas do Boavista (9-18) e registou-se empate em cartões amarelos (4 para cada lado), com os portuenses a jogarem com menos um elemento a partir dos 79 minutos, por expulsão de um jogador axadrezado. 
    - O Boavista equilibrou na primeira parte, conseguindo 3 remates com perigo (menos dois do que o Benfica), mas na segunda parte limitou-se a defender o 0-0, não conseguindo qualquer situação de perigo. 

  

MELHOR EM CAMPO DO BENFICA: 

Rodriguez

5 remates (3 perigosos),

5 cruzamentos

5 passes de ruptura 

3 perdas de bola

1 corte

1 falta cometida

1 falta sofrida

      •   

O sistema “familialista” do FCP

2008/04/07

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Nota introdutória: este artigo tem cerca de 4 anos. Nunca foi publicado antes mas parece-me que está mais actual do que nunca. Por isso vê a luz do dia agora na FOOTBALL IDEAS com a respectiva vénia ao seu autor.

Tenho lido nos últimos tempos que alguns adeptos do Futebol Clube do Porto estão muito apreensivos com a saída, mais do que previsível, de José Mourinho. Apesar de ser portista, simpatizante e sócio (com as cotas em atraso, sublinhe-se; deixei de pagar cotas no momento em que Octávio assumiu a liderança técnica da equipa; foi a única forma digna que encontrei para expressar o meu protesto), apesar de ser portista, repito, devo dizer que não estou nada preocupado com a saída de José Mourinho. Por uma razão muito simples: o FCP não é só o Mourinho. Há anos que defendo que o meu clube se alicerça num modelo familialista composto por um Pai, uma Mãe e um conjunto de irmãos mais velhos. 

Comecemos pelo Pai: Pinto da Costa. Patriarca incontestado sem Édipo à altura, defensor intransigente dos seus filhos. Ai de quem os atacar! Quem não se lembra da forma como o Pai defendeu o filho Paulinho Santos quando este deu uma cotovelada no João Pinto? Ou do modo como recentemente defendeu Vítor Baía, que foi apelidado de “produto de marketing” por um jornalista português? São apenas dois exemplos, mas poderia enumerar muitos mais. Nestas alturas, o Pai age sempre da mesma forma: protege os seus, ataca violentamente os adversários e transmite uma enorme segurança a toda a equipa. Os filhos agradecem e não destabilizam. Porque o mais importante é manter a estabilidade psíquica e anímica da irmandade. Porém, não se pense que o Pai ama os seus filhos de modo incondicional. De forma alguma. Pinto da Costa, como qualquer pai tradicional, exige muito dos seus filhos e castiga-os exemplarmente se estes não cumprirem as regras da família. São também célebres os castigos que o FCP impôs e continua a impor aos seus filhos, ao ponto de serem remetidos para a equipa B excelentes jogadores que se “portaram mal”. Os exemplos são uma vez mais incontáveis e bem conhecidos, dispensando-me por isso de ter de os descrever.

 

Mas Pinto da Costa não está só e soube rodear-se de uma comunidade de irmãos mais velhos, do passado e do presente, que têm um papel fundamental na equipa. Refiro-me a André, João Pinto, Aloísio, só para citar alguns exemplos, que tiveram um papel estruturante no passado e continuam a ter, ainda que de outra forma, no presente. São estes irmãos mais velhos do passado que, conjuntamente com os irmãos mais velhos do presente – Jorge Costa, Vítor Baía –, asseguram a harmonia da equipa e permitem que os outros irmãos se esforçem e não prevariquem. Mas não só. Estes irmãos mais velhos funcionam também como exemplos a seguir. Estão de corpo e alma no clube, vestem literalmente a camisola e são os que muitas vezes recebem os ordenados mais baixos. De certa forma é compreensível: os seus planos de carreira não se fazem a curto mas sim a longo prazo. Contudo, enquanto jogarem, darão tudo que têm, puxarão pela equipa e não deixarão que os irmãos mais novos vacilem. Ou seja, liderarão pelo exemplo.

 

José Mourinho aparece aqui como um tipo especial de irmão mais velho (a expressão “irmão mais velho” aplicada a Mourinho não é minha, mas sim do próprio Pai). Especial porque sabe que está de passagem. No entanto, o seu desempenho terá de assemelhar-se ao dos irmãos mais velhos: zelar pelos mais novos, não deixar que esmoreçam e sobretudo trabalhar muito com grande profissionalismo. Em suma, e uma vez mais, liderar pelo exemplo. Não quero com isto diminuir o enorme mérito de José Mourinho e sobretudo o trabalho extraordinário que realizou nos dois anos e meio que esteve no FCP. Longe de mim tal coisa. Tenho por Mourinho uma admiração extraordinária e desejo-lhe as maiores felicidades no estrangeiro (em Portugal o caso é diferente: só lhe desejo felicidades, evidentemente, se voltar a ser treinador do Porto ou da equipa nacional). O que eu quero sublinhar é que tenho a certeza que o FCP saberá tornear esta situação e contratar um bom treinador que integrar-se-á na família e manterá a eficácia a que o Porto nos habitou nos últimos anos. Muito provavelmente não conseguirá manter o nível extraordinário destas duas últimas épocas, mas isso é perfeitamente compreensível. Nunca a fasquia esteve tão alta e épocas destas acontecem raras vezes na vida de qualquer clube. Seja ele qual for: Manchester, Real de Madrid, Milan, etc.

 

Resta-me falar da Mãe. A Mãe de uma família tradicional, como todos os filhos sabem, deverá ser recatada, calorosa e estar sempre disponível. Deverá ainda, ao contrario do pai, amar os seus filhos incondicionalmente e, se for necessário, colocar alguma “água na fervura” sempre que os filhos se portem mal e tenham de ser castigados. Ora, no FCP esse papel é desempenhado na perfeição por Reinaldo Teles, uma figura menos visível e frequentemente esquecida pela comunicação social. Quero aqui deixar uma homenagem sentida, e mais do que merecida, a essa figura maternal do meu Clube. Reinaldo Teles tem tido um papel fundamental, estrutural e estruturante, no Futebol Clube do Porto. É ele que resolve os problemas da “prole”; é ele que providencia para que nada falte aos seus amados filhos; e estes agradecem e vivem descansados porque sabem que têm ali uma Mãe extremosa que assegura que nada de mal lhes aconteça.

 

Por tudo isto, termino como comecei. Não me preocupa que o Mourinho deixe o clube. Como já disse, existem bons treinadores no mercado e tenho a certeza que qualquer treinador de nível internacional terá sucesso no FCP. Não se esqueçam que, pasme-se, até Fernando Santos conseguiu ganhar um campeonato nacional no FCP e Artur Jorge uma Taça do Campeões Europeus! O problema chegará quando o pai e a mãe saírem. Será que a família conseguirá sobreviver a essa futura (é a lei da vida) orfandade? Nessa altura, aí sim, ficarei apreensivo. Porque não me apetece viver os últimos anos da minha vida “à Benfica”. Não me estou a imaginar a dizer frases do tipo: “- sabes, meu neto, no meu tempo quem ganhava tudo era o Futebol Clube do Porto…” Ámen.”

 

Diniz Cayolla Ribeiro,

Maio de 2004

  

Porto Sentido VI – “Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”

2008/03/24

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Depois de sair do metro olho para o relógio: 20h10. Ainda é cedo para ir para o meu lugar anual, pelo que me encaminho para o Porta 29, o café onde os portistas costumam enganar os nervos à medida que o apito inicial do árbitro se aproxima. Cheira a Liga dos Campeões. É difícil de explicar, mas os jogos europeus encerram um encanto especial. Há algo de nobre e de histórico em duas equipas de países diferentes se defrontarem a 2 mãos, a eliminar.

Num dos ecrãs do tal café reparo que Mirko Slomka optou por deixar o irrequieto Rakitic e o possante Asamoah no banco, apostando num 11 mais defensivo. Isso favorece-nos, penso para os meus botões. Sempre ouv